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Página 2 de 2 Os modos do Hapkido e a forma como ele se apresenta parecem ser de outro mundo, e muitas de suas técnicas são estranhas, não só para a linha do Daito-ryu, mas para todas as artes marciais. É certamente verdade que o Hapkido também incorporou muitas técnicas de origens coreana e chinesa. No entanto, estas características alienígenas se originaram, acredito eu, do fato dos coreanos verem os combates, as demonstrações e a prática das artes marciais, de uma maneira diferente à dos japoneses, sendo assim, é natural que suas estruturas e a forma com que exercem sua marcialidade sejam diferentes. Fora isto, baseado nas formas com que as técnicas de imobilização e projeção são feitas, eu estou convencido de que o Hapkido é originário do Daito-ryu. Esta opinião categórica é induzida também por outro vídeo que assisti recentemente do mestre de Daito-ryu Sensei Katsuyuki Kondo. Eu tenho observado o Daito-ryu ao longo dos anos e acho, que é a mais excepcional das artes. Embora seja classificada como koryu (antiga tradição marcial), é completamente diferente de qualquer outra escola de jujutsu ainda existente no Japão. Uma das mais significantes diferenças é o número de katas literalmente são centenas de elaborações de técnicas de pegada e imobilizações. O esboço quase perfeito das técnicas é muito raro entre as antigas artes marciais, principalmente no que diz respeito ao combate desarmado, mão a mão. As técnicas desarmadas constituíram quase sempre uma pequena parte de um enorme número de katas preocupado com o combate a armas. Uma Segunda diferença é a natureza um tanto quanto enfeitada dos katas muitas vezes há uma atmosfera circense (comum na maioria das escolas) tanto nos dramáticos arremessos quanto nas técnicas em que uma pessoa é imobilizada e então um segundo membro seu travado e em seguida um terceiro e, algumas vezes, enquanto ainda está se imobilizando o primeiro indivíduo, uma Segunda ou terceira pessoa ataca para ser imediatamente imobilizada e presa entre os outros. Finalmente há uma inversão dos papéis, atualmente muito comum nas artes marciais modernas, na qual o sensei ou aluno mais graduado é o tori (aquele que projeta ou vence), e onde o aluno mais novo é o uke (aquele que é projetado ou perde). Ao contrário, o Daito-ryu e quase todos os outros koryu insistem que aquele que está ensinando deve efetuar as quedas. O ensinamento acontece quando o professor domina a situação, sendo necessário ao estudante, trabalhar no limite de sua capacidade com o objetivo de vencer. Existe um momento no filme de Daito-ryu onde o Sensei Kondo faz uma queda para seu aluno visando esclarecer uma situação e, de forma muito natural, para a demonstração para recuperar o fôlego que o havia vencido. Não mencionei isto para criticar Sensei Kondo, o qual certamente está mantendo a tradição dos métodos Daito-ryu, a qual é com certeza a terceira geração desde o Sensei Sokaku Takeda, mas sim para notar como o Daito-ryu é diferente dos outros koryu jujutsu. O Daito-ryu tem um currículo extremamente longo e elaborado, sendo que a memorização de cada uma de suas técnicas levaria décadas. Isso sugeriu que o Daito-ryu, apesar do rigor de muitas de suas técnicas, não fosse considerado uma arte de guerra. Ele foi desenvolvido, ou ao menos corrigido e enfeitado para ser usado de forma pacífica e tranqüila em tempos de paz. O Daito-ryu foi criado por um indivíduo que parecia ter um desejo quase obsessivo de elaborar todos os caminhos possíveis através dos quais um ser humano pudesse segurar ou imobilizar outro. Essa elaboração é tão extensa que eu acredito que muitos indivíduos, mesmo não podendo dominar todas as técnicas do currículo poderíamos após alguns anos, absorver inclusive alguns princípios os quais os tornariam aptos a refinar em suas artes marciais os traços do Daito-ryu. A maioria dos sucessores significativos do Daito-ryu, incluindo alguns indivíduos como Seigo Okamoto do Daito-ryu Roppokai, Ryuho Okuyama do Hakko-ryu, Kotaro Yoshida (Pelo menos da forma como foi passado para sua Segunda geração sucessora, Don Angier) e, principalmente Morihei Ueshiba do Aikido e Young Sool do Hapkido, abandonaram o kata do Daito-ryu assim como grande parte das técnicas dramáticas irreais. Apesar das diversas diferenças, a elaboração de aproximadamente dez a doze técnicas está associada às técnicas gerais de todas estas artes (Ikkyo-gokyo, kotegaeshi, shihonage, irimi / kokyu / tenchi-nage, jujigarami, koshinage e kokyuho). Estas técnicas são praticadas de uma forma mais suave, sem o ritual e sem a forma dura do kata do Daito-ryu. Aqueles que deixaram o Daito-ryu, o fizeram por uma série de razões, mas cada um, num nível técnico, parece ter alterado a arte praticamente da mesma maneira, simplificando a técnica e enfatizando os princípios através das variações. E ainda, o Aikido e o Hapkido, embora sendo claramente similares, são artes muito diferentes. Para aqueles do mundo do Aikido, preocupados com suas insuficiências, como um sistema de combate mão a mão, o Hapkido oferece o outro lado do espelho. Iriminage por exemplo, é feito com os dedos pressionando os nervos centrais abaixo dos ossos e dolorosos pontos de pressão são atacados em todo o corpo. Chutes podem sair com força suficiente para quebrar um osso e as técnicas muitas vezes são finalizadas com um golpe fatal e não apenas com uma imobilização. Se alguém se preocupa com a falta de eficácia no combate do Aikido numa situação real de uma briga de rua, há uma outra arte na família, a qual apesar de possuir as mesmas origens técnicas, não pode ser encarada da mesma maneira. De minha parte eu antecipo uma contínua associação com o Sr. Garisson e outros praticantes legítimos de Hapkido e procuro aprender o máximo possível com eles. No entanto, eu não tenha a intenção de misturar estas duas artes Aikido e Hapkido. Eu não estou falando de melhor ou pior; estou falando de diferença. Como já escrevi anteriormente, quase todas as artes marciais possuem uma base moral, à vezes muito profunda. Como um iniciante de Hapkido me colocou numa carta, À medida em que o praticante vai se tornando cada vez mais avançado, o contato com o uke se torna menos violento, menos forçado e menos necessário. E ainda, no nível mais elevado, o Aikido e o Hapkido tendem a se assemelhar. No entanto, ao contrário da maioria das outras artes marciais, onde a paz surpreendentemente tende a desaparecer com a evolução, o Aikido demonstra necessitar que o aiki (espírito harmonioso) esteja presente e seja uma meta a ser atingida desde o primeiro dia. As técnicas que uma pessoa aprende assim que entra no dojo são as mesma que aquelas aprendidas mais à frente. Eu me sinto mistificado e desafiado pelo O-Sensei, um homem que foi para a guerra, que treinou obsessivamente tanto o bujutsu quanto os austeros rituais religiosos e emergiu, declarando que o Aikido é uma realização de amor e aiki não é uma técnica de luta ou de derrota de um inimigo. É o caminho para reconciliar o mundo e fazer dos seres humanos uma família. Eu encorajaria os leitores a olhar a fotografia que foi impressa muitas vezes no verso desta revista, anunciando filmes do O-Sensei, na qual ele está fazendo um movimento de tenkan com seu pulso sendo segurado por Kazuo Chiba. Eu acredito que não existe nada, em lugar algum, em nenhuma outra arte marcial, que expresse exatamente o que O-Sensei expressa aqui, com seu perfeito alinhamento de sua postura e com os braços abertos e curvados. Alguém poderia descansar um bebê dormindo em seus braços que este não acordaria. Ë aí que esta o problema do Aikido, O-Sensei treinava muito como a forma do Hapkido descrita anteriormente, um método muito diferente daquele transmitido os seguidores do Aikido. A questão que ainda me cerca e me persegue por todos estes anos de treino, tanto no Aikido como fora dele, é simplesmente, Será que o Aikido é a melhor forma de se aprender Aikido? Quando pratico meu koryu, me esforço para atingir o espírito dos fundadores que nasceram e morreram numa sangrenta era de sobrevivência. Tal prática me manteve seguro e capaz de ajudar e proteger outras pessoas. Mas ao praticar, muitas vezes paro e penso, O que você está fazendo? Há milhares de pessoas neste exato minuto, massacrando outros e usando métodos não muito diferentes daquilo que você está praticando agora. Eu encontrei boas razões para continuar meu treino marcial mas preciso estar atento a estas armadilhas toda vez que pratico. Segundo o comentário de Nietszche, se eu começo a brincar com a força de maneira descuidada, ela também pode começar a brincar comigo da mesma maneira. Quando eu pergunto se o Aikido é real, eu quero dizer O Aikido irá produzir dentro de mim o que O-Sensei declarou Ter produzido e personificado dentro dele? O desenvolvimento da prática de combate provavelmente será sempre objeto de meu interesse, mas tais considerações são relevantes à medida em que suas realizações me mantém salvo de maneira que eu possa formular perguntas realmente importantes. Deste modo, no meu coração, eu desejo que todos meus estudos me levem a ser capaz de ter uma postura elegante e perfeita de boas vindas e de proteção assim como o velho homem da foto. Forte, aberto e pacífico. Por: Ellis Amdur. Tradução feita por Frederico Ventriglia.
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