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FAIXA PRETA E-mail
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FAIXA PRETA
Página 2

A faixa preta não faz um faixa preta, mas é ele quem deve encontrar o caminho para fundir-se a ela. Ao assumir a faixa preta, ele passa a utilizar a postura que aprimorou nos anos de treinamento com equilíbrio, principalmente, em suas decisões. O faixa preta, ao adquirir essa essência sabe onde se colocar em cada situação da vida, sabe quando ser humilde ou arrogante, como ser incisivo ou sutil.

Buscar a essência das artes marciais nos dias atuais é muito complicado. A cada dia, valores são perdidos e princípios são deturpados. Essa busca necessita de uma entrega, que seja pura e bem conduzida. O olhar deve estar além da técnica, o pensamento deve ser analítico naquilo que não se diz, o corpo deve sentir aquilo que não se mostra, o Ki deve buscar o universo e equilibra-se.

A perseverança do hapkidoísta que deseja atingir a essência é algo fundamental, pois o caminho é árduo. O aprendizado das técnicas muitas vezes é mais fácil, porém a essência é dolorosa e depende de um estado de aceitação, mudança e busca de algo maior do que apenas uma faixa.
A essência (o Ki) depende da harmonização e da união entre mestre/aluno, técnica/teoria, corpo/mente, exterior/interior. A troca entre todos estes princípios deve ser constante. O mestre deve dominar, mostrar, ensinar e corrigir o discípulo. O aluno, por sua vez, deve procurar conhecer profundamente quem ministra a aula, já que ele pode estar diante de alguém que está vestindo uma faixa preta e não de alguém que é um faixa preta.

Toda essa essência do 1º Dan compreende a sabedoria para ensinar; para elevar seu desenvolvimento ao passar o conhecimento marcial. A evolução do artista depende agora do oferecimento de suas experiências sempre com responsabilidade, respeito, humildade e, acima de tudo, senso de justiça. O egoísmo e o receio de ser superado, não cabem ao faixa preta. Suas ações, a partir de então, colherão os frutos da amizade, lealdade, zelo, respeito e confiança de todos. Nessas condições, a essência está assegurada para o enobrecimento da prática do Hapkido além de chutes e socos.

Ser um faixa preta não é ter um titulo ou posição na frente da sala; ser faixa preta está além das paredes do Dojan. A beleza e a complexidade desse estágio só podem ser compreendidas por aqueles que se tornam livres mentalmente das vontades alheias, capazes de dominar tudo o que envolve a ganância, o egoísmo e os fortes desejos de ser, ter e poder. A sabedoria está dentro de si mesmo. O alcance dessa excelência potencial é de extrema importância para o desenvolvimento da arte do Hapkido e do caminho que ainda está por vir. A faixa preta e o faixa preta representam a pureza de espírito. A essa fusão resulta não um homem ou um título, mas uma força capaz de mediar proezas inimagináveis: capaz, até mesmo, de vencer uma batalha, sem ao menos, desferir um golpe.

Escrito por: Mestre Flávio Augusto de Oliveira
Edição: Valquiria Oliveira e Diego Sampaio



 
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