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FAIXA PRETA
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Página 1 de 2 A faixa preta pode ser, para muitos, um mero pedaço de pano; para outros, um cinto que fecha o uniforme. Outros ainda, a consideram o mais alto reconhecimento a ser atingindo na arte marcial. Após anos de dedicação à arte e treinamento, encontrei respostas para o que a faixa preta realmente significa pra mim. Conhecimento, esse, que transporto aos meus alunos. Não se trata apenas de mais um passo, uma elevação no nível técnico. É uma transformação, uma espécie de mutação evolutiva, o novo caminho em uma nova era. A essência da faixa preta é inexplicável.
O faixa preta e a faixa preta são uma única coisa. Mas estar preparado para receber a faixa preta é não estar preparado. O discípulo que deseja a faixa preta, acima de tudo, nunca atingirá o estágio para conquistá-la e por mais que a coloque na cintura, não a terá no coração. Nos dias de hoje, vejo as academias dando faixas pretas aos alunos, ou melhor, vendendo. A cada ano, a quantidade de tempo para troca de faixa diminui, bem como o tempo para se atingir a faixa preta. Vemos estilos que entregam a faixa preta ao praticante em 2 ou 3 anos. Para aqueles que treinam há muito tempo, resta a tristeza. O que deveria ser para poucos, se tornou mercadoria de compra para todos. Quem não se recorda de quando éramos pequenos, e se ouvia: “oh, aquele cara é faixa preta”! Víamos a reação de espanto de todos: “nossa, como ele conseguiu! Deve ser muito bom, como o Bruce Lee!” e “o cara é ninja mesmo”... Ainda temos pessoas que reagem dessa forma reconhecendo na faixa preta o resultado de um longo processo alcançado pelo desenvolvimento técnico e psicológico, pelo suor e o esforço, pela superação. Mas, existem também aqueles que desvalorizam as artes marciais e, conseqüentemente, seus praticantes que conquistaram a faixa preta: ou por saber que são vendidas ou pelo simples fato de estar na academia pagando os exames. Não falo somente daqueles que desconhecem a arte e não possuem contato com o treinamento e a filosofia marcial. Aponto, principalmente, os próprios artistas marciais. Ao atingir o 1º Dan, o artista marcial não recebe apenas uma faixa, e sim, o direito de ministrar aula, carregar o nome do estilo e começar a traçar seu caminho, não sendo o tempo o fator determinante de seu preparo. No Hapkido Jik Bu Kwan, em média, o hapkidoísta chega à faixa preta em 8 anos. Não deixamos o aluno apegar-se ao tempo, exames periódicos, cor de faixa ou quaisquer critérios fúteis em relação à faixa preta. Desenvolvemos o autoconhecimento. Apenas o domínio de si mesmo pode acompanhar a excelência técnica. Tratamos a faixa com muita importância, pois o aluno deve estar preparado para atingí-la e não será o tempo que o fará. A quantidade de treino, dedicação e conquista da essência resultarão na faixa preta. Em algumas artes marciais, como Jiu Jitsu, Judô e alguns estilos de Karatê, existem técnicas que acompanham uma linha estratégica. No Jiu Jitsu, as técnicas são de agarramento e imobilização no solo; no Judô, de projeções e imobilizações; no Karatê, por sua vez, técnicas de socos e chutes em linha reta. Nessas artes marciais, com técnicas específicas realizadas em todos os treinos, 3 vezes por semana, seus praticantes levam de 6 a 8 anos para ser tornarem faixas pretas. Não existem motivos que justifiquem a formação de um faixa preta em um curto espaço de tempo no Hapkido, já que sua complexidade técnica, variedade e suas exigências estão além de sua execução e mera repetição daquilo que se aprende. Pode-se analisar a mesma situação em outras áreas. Engenheiros e médicos passam cerca de 5 a 6 anos cursando a universidade. Quando formados, trabalham para manter a segurança das pessoas, seja na construção de casas ou na assistência à saúde. Pense se esse mesmo engenheiro ou médico não adquirisse o conhecimento necessário no período acadêmico e depois de formado fosse construir a sua casa e cuidar da sua saúde?
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